quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Por dentro um do outro - pensamento vago de amor inteiro














Meus olhos são duas grutas escuras e escondidas de onde jorra, translúcido, o desequilíbrio de minhas lágrimas. É uma porta entreaberta por onde espias minha alma acanhada. No silêncio da cidade morna, tu e tuas vontades entram pela porta, nos trancas um por dentro do outro. Vejo em tua vida o brilho que ainda me falta, e sinto em meu corpo o calor que ainda não habitava na tua epiderme que agora se arrepia no atrito contemplativo de meus dedos por tua pele. Decidimos nos consumir sem nenhuma objeção ou ressentimento, e simplesmente enfeitar nossos corpos com nossos carinhos e perder as contas dos beijos que sufocam a saudade por infinitos instantes.

Tudo Relicarizado

Ceda,
pois nunca é tarde,
é sempre noite
e a noite é uma criança que brinca
até escutar a voz
o acalanto materno em cada sílaba
convidando para estarem juntos
nos abraços argamassados do lar
A casa não caiu
e não tem nada para ser descoberto
Tudo permanece obsoleto
abundantemente relicarizado
naquelas cenas cotidianas
o café, a TV, o jogo de futebol
o sorriso, o beijo, a despedida na porta
Saudades do meu pai poeta
Saudades de minha mãe boêmia
Saudades de ter saudades do que não conheço ainda
Saudade de perder a rima
e depois reencontra-la sem por que de existir
vontade de implodir minha alma em 1001 pedaços
e depois remonta-la, parte a parte
aprender aonde fica o encaixe
entre sonho e realidade
tudo na mais abstrata concreticidade
como uma cidade que tarda, mais tarde anoitece
mas não para de parecer
com a aparência de viver sonhando acordado